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Mostra Informativa PUTZ
FORA DE COMPETIÇÃO

Como nossa programação de filmes na mostra competitiva é relativamente pequena (se comparada com o todo dos filmes inscritos) e muitos trabalhos que gostamos invariavelmente ficariam fora destas exibições, quando houve a possibilidade, não tivemos dúvidas em montar estas sessões paralelas – que, realmente, devem se tornar ótimas oportunidades para discutirmos e levantarmos questões de interesse a diferentes realizadores. Nossa intenção também foi de levantar questões que não foram abordadas na mostra competitiva e serão expostas na exibição desses filmes, seja individualmente ou coletivamente, dependendo da particularidade de cada obra.

Percebe-se com facilidade que foram selecionadas poucas obras que assumiram-se como “documentários” (ainda mais se comparado ao alto número de inscritos assumidos como tal). Um dos claros motivos é que a grande maioria dos documentários inscritos possuem vieses e objetivos filiados às tradições televisivas da reportagem e não exploram o potencial audiovisual em sua produção, confiando no poder de interesse a partir de seus personagens, depoimentos e falas – de caráter unicamente ilustrativo, ignorando qualquer outro dispositivo cinematográfico que não os limitasse a simples reportagens curiosas.

Também inserimos nesta mostra informativa alguns trabalhos que já circularam bastante por festivais brasileiros e internacionais, que estão chegando ao fim da sua carreira de exibições em festivais, mas que ainda não passaram por Curitiba. Por outro lado, realizaremos também a estreia de vários trabalhos fora do âmbito local em que foram produzidos (a própria universidade), promovendo o saudádel confronto com obras de diferentes contextos e pretensões. A nossa vontade é que estas sessões "fora de competição" sirvam sim como uma ótima janela de exibição de bons trabalhos que acabariam não passando em Curitiba e também como motivação do debate entre realizadores e público a partir destas obras específicas, instigantes e diversas em muitos sentidos, pois temos aí desde filmes claramente calcados no melodrama de Hollywood, brincadeiras com a estrutura convencional de documentário, "filmes de zumbi", até experimentos não-narrativos; criando um panorama do cinema universitário brasileiro hoje ainda mais amplo do que a mostra competitiva sozinha seria capaz.

Alexandre Rafael Garcia e Arthur Tuoto